Léon Denis
"Dentre os luminares que assumiram a responsabilidade da implantação da Verdade dos Espíritos na Terra, destaca-se Léon Denis, esse extraordinário pensador, justamente conhecido como o 'filósofo do Espiritismo'."
Nasceu em 01 de janeiro de 1846, em Lorena, aldeia de Joana D'Arc. Filho de modesto funcionário público, Joseph Denis, teve na infância, como mestras exclusivas, a necessidade, a adversidade e as dores, aliviadas pelo amor de sua mãe, Ana Lúcia Denis.
Não possuindo recursos para frequentar escolas, tornou-se autodidata por imperativo espiritual, pois sua sede de conhecimentos não tinha limites: desde jovem atirava-se a todos os livros que encontrava e, mais tarde, após percorrer as ciências humanas, encontrou na filosofia a sua grande inclinação e a própria revelação de sua estupenda capacidade de perceber. Conseguia, desde logo, transmitir o mais profundo conhecimento filosófico sob a moldura de uma simplicidade bela e humana, que atraía a imediata compreensão popular. E essa foi a grande norma do filósofo: escrever para reformar. Por isso seu estilo é tão humano, direto, lúcido, poético; seu trabalho, confortador, reformador, cristão.
Não se sabe ao certo quando Denis interessou-se pelo Espiritismo, todavia, registram seus biógrafos que, principalmente a partir de 1882, quando estava com trinta e oito anos, passou a dedicar-se intensamente à sua divulgação. Data dessa época a sua obra "O Porquê da Vida", publicada em setembro de 1885.
Grande orador, em 1900 foi aclamado presidente do Congresso Espírita e Espiritualista de Paris e em 1925 chegou à presidência do Congresso Espírita Internacional e foi presidente honorário da União Espírita Francesa, da Federação Espírita do Brasil, da Sociedade Francesa de Estudos Psíquicos e de quase todos os Congressos espíritas internacionais.
Autor dos livros: Depois da Morte; Cristianismo e Espiritismo; Catecismo Espírita; O Além e a Sobrevivência do Ser; No Invisível; O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Joana D'Arc Médium; O Espiritismo e a Arte; Espiritismo e Socialismo; O Grande Enigma; O Mundo Invisível e a Guerra; O Gênio Céltico e o Mundo Invisível, obras que o imortalizaram, como o continuador da mensagem de Allan Kardec. Seu nome associou-se à consolidação do Espiritismo.
"Conselheiro, guia, pastor, protetor dos pobres, sua principal tarefa era consolar em nome dos Espíritos. Amaram-no as crianças privadas de tudo e por ele tiradas dos porões sombrios e infectos e dirigidas para os colégios que fundara. Amou-o a mulher pobre, a mãe miserável, sobretudo, essa grande heroína, porque nos seus ensinamentos e apoio paternal encontravam o lenitivo sagrado para a vida."
A partir de 1910 passou a sentir o gradativo enfraquecimento de sua visão. Em 1927, com a saúde bastante debilitada, já tinha grandes dificuldades para mover-se. Cego, doente, não se queixava, todavia, sabendo que não desencarnaria sem cumprir sua extraordinária tarefa. Por esta época, recebia as primeiras provas de "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível", auxiliado por Mlle. Baumard, sua secretária particular, que lia em voz alta e corrigia seguindo suas indicações.
Quase todos os trabalhos de Léon Denis foram influenciados por Allan Kardec, Espírito. Também o assistia uma luminosa entidade conhecida como l'Esprit Bleu, o Espírito Azul, devido ao maravilhoso azul que caracterizava sua aura, conforme percebiam os videntes. Igualmente o acompanhavam o Espírito de Jerônimo de Praga.
Cercado do carinho e do cuidado de seus amigos, que não o abandonavam um instante, terminou, efetivamente, a tarefa de seu último livro.
Aos 81 anos de idade, o seu derradeiro instante no mundo da carne chegou manso, libertador, conscientemente sentido e aguardado pelo grande mestre. Eram vinte e uma horas do dia 12 de abril de 1927, quando Jesus recebeu de volta em Seu seio o espírito de Léon Denis, o mensageiro excelso da incomparável filosofia do amor, a única que compreendia e que pode transmitir à Humanidade.
A trajetória de Léon Denis caracteriza-se como um dos mais importantes marcos na história do Espiritismo. Sua própria vida constitui-se num novo conceito para a Humanidade.
Colaboração: Cláudia Valente — Baseado em verbete